Mostra internacional no Palácio Anchieta reúne 69 gravuras originais e reforça o Espírito Santo no circuito global da cultura
Rodrigo Gavini
Vitória vive dias de efervescência cultural com a chegada da exposição Rembrandt – O mestre da luz e da sombra, em cartaz no Palácio Anchieta.
Mais do que encantar os amantes da arte, a mostra internacional dedicada a Rembrandt van Rijn prova, na prática, que cultura também é sinônimo de desenvolvimento econômico: o projeto já movimentou expressivos R$ 17,4 milhões no Brasil.
Com 69 gravuras originais do século XVII, vindas de uma coleção italiana, a exposição desembarcou no país após uma operação de alto nível, que envolveu transporte internacional especializado, seguros milionários e uma complexa logística entre cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e, agora, a capital capixaba.
Tudo isso dentro de um rigor técnico necessário para preservar obras históricas de valor inestimável.
Viabilizada por meio da Lei Rouanet, com captação de R$ 2,3 milhões, a mostra exemplifica o chamado efeito multiplicador da cultura.
Um estudo da Fundação Getulio Vargas aponta que cada R$ 1 investido no setor pode gerar até R$ 7,59 para a economia e é exatamente esse movimento que se vê nas ruas de Vitória.
A cadeia produtiva ativada vai muito além das galerias: profissionais de montagem, curadoria, comunicação, segurança e mediação muitos deles capixabas foram mobilizados, além de serviços como transporte, alimentação e turismo.
Restaurantes, cafeterias e o comércio no entorno do Palácio Anchieta também sentem o impacto positivo com o aumento do fluxo de visitantes.
Outro destaque é a forte adesão à programação educativa. As visitas mediadas estão com agenda lotada até o fim da temporada, reunindo estudantes, professores e instituições em uma experiência formativa que amplia o acesso à arte e fortalece a formação de público.
Antes de chegar ao Espírito Santo, a exposição já havia passado pelo Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, e pela Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte, somando mais de 140 mil visitantes.
No exterior, o circuito inclui países como Alemanha, China, Estados Unidos e Itália, consolidando o alcance global da mostra.
Além de seu impacto econômico, a exposição reafirma o peso de Rembrandt na história da arte.
Considerado um dos maiores nomes da Era de Ouro holandesa, o artista deixou um legado que atravessa séculos, com obras marcadas pelo uso magistral do claro-escuro e pela profundidade emocional características que seguem influenciando movimentos artísticos até hoje.
Em cartaz até 12 de abril, com entrada gratuita, a mostra transforma Vitória em um verdadeiro polo cultural e mostra que, quando arte e investimento caminham juntos, o resultado vai muito além das paredes de um museu.
Por: Edu Coutinho
Edu coutinho é o idealizador do Portal Resenhando e colunista principal

