Projetos educacionais investem em acolhimento, convivência e conexão com a natureza para transformar a experiência de alunos e professores.
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A arquitetura escolar vive uma transformação silenciosa, mas cada vez mais perceptível.
Se antes os projetos de instituições de ensino eram guiados principalmente pela funcionalidade, hoje ganham força conceitos que priorizam acolhimento, convivência, saúde emocional e conexão com a natureza.
A escola deixa de ser apenas um espaço para transmissão de conhecimento e passa a atuar como ambiente de desenvolvimento humano, capaz de influenciar diretamente a qualidade de vida de alunos, professores e famílias.
O movimento acompanha uma preocupação crescente com o bem-estar emocional de crianças e adolescentes. Em meio ao aumento dos casos de ansiedade e isolamento entre jovens, arquitetos e educadores buscam criar ambientes que favoreçam o senso de pertencimento, a interação social e experiências mais positivas no cotidiano escolar.
Escritório da arquiteta Maria Madalena Rodrigues Fraga Lorenção assina o projeto de escola na Serra
A relevância dessa mudança encontra respaldo em estudos internacionais. Pesquisa realizada pela Universidade de Salford, no Reino Unido, e publicada na revista Building and Environment, revelou que fatores como iluminação, temperatura, cores e flexibilidade dos espaços podem impactar em até 25% o desempenho dos estudantes ao longo do processo de aprendizagem.
No Espírito Santo, esse novo conceito pode ser observado no Centro Educacional Castelo (CEC), na Serra. Com projeto assinado pela arquiteta Maria Madalena Rodrigues Fraga Lorenção, associada da AsBEA/ES, o complexo de aproximadamente 15 mil metros quadrados foi concebido para ir além da eficiência operacional e transformar a arquitetura em ferramenta de integração e acolhimento.
Atividades na horta da escola Terracota
O grande destaque do projeto é um amplo pátio central coberto por estrutura translúcida, pensado como o coração da escola. Mais do que um espaço de circulação, o ambiente estimula encontros, convivência e interação entre diferentes setores da instituição. A abundância de luz natural contribui para uma atmosfera mais agradável e reduz a necessidade de iluminação artificial durante o dia.
A relação com a natureza também ocupa papel central. Implantado ao lado de uma área de mata preservada, o empreendimento estabelece diálogo permanente com a paisagem verde.
A biblioteca, estrategicamente posicionada com vista para o entorno natural, proporciona uma experiência de leitura marcada pela contemplação e tranquilidade, seguindo tendências internacionais ligadas à biofilia e aos ambientes educacionais humanizados.
Aspectos técnicos igualmente ganharam protagonismo.
Ventilação cruzada, conforto térmico e acústico, iluminação adequada para reduzir o cansaço visual e acessibilidade universal passaram a ser considerados desde as etapas iniciais do projeto.
No CEC, rampas conectam todos os setores da escola, enquanto o aproveitamento inteligente do relevo permitiu criar áreas de recreação integradas ao complexo esportivo.
Natureza desde os primeiros anos
Outro exemplo dessa nova geração de projetos educacionais é a Terracota, recém-inaugurada na Praia da Costa, em Vila Velha.
Com arquitetura assinada por Sandro Pretti, a instituição foi planejada a partir da premissa de que o ambiente também exerce papel fundamental no processo educativo.
Voltada para crianças de 1 a 5 anos, a escola ocupa mais de mil metros quadrados e apresenta uma arquitetura alinhada à proposta pedagógica. Os espaços privilegiam luz natural, conforto e integração entre áreas internas e externas, criando ambientes que estimulam autonomia, curiosidade e bem-estar desde a primeira infância.
O contato com a natureza aparece como elemento permanente da experiência escolar. Parquinho ao ar livre, piscina, horta e refeitório foram concebidos como extensões do aprendizado, incentivando movimento, descobertas e vivências práticas no dia a dia.
A estrutura inclui ainda biblioteca com palco para teatro, sala do sono, espaços destinados a oficinas e áreas de convivência que fortalecem a interação entre as crianças.
O resultado reflete uma tendência que ganha espaço no setor educacional: a arquitetura deixa de atender apenas às necessidades funcionais e passa a contribuir ativamente para a formação, o desenvolvimento emocional e as experiências de quem ocupa esses ambientes.
Por: Edu Coutinho
Edu coutinho é o idealizador do Portal Resenhando e colunista principal


