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Instituto Das Pretas leva protagonismo capixaba à COP30
Publicado em 15 de novembro de 2025 às 12:54
Instituto Das Pretas leva protagonismo capixaba à COP30 A organização liderada por mulheres negras marca presença em Belém, levando saberes periféricos e tecnologias sociais do Espírito Santo para o centro do debate climático global. Reprodução/ Instagram

Reconhecido por seu trabalho em inovação social, pelo fortalecimento do protagonismo negro e pela transformação de territórios, o Instituto Das Pretas, organização capixaba de impacto — foi convidado a participar da COP30, em Belém (PA). 


A presença da instituição leva para o centro do debate climático internacional a voz, o conhecimento e as experiências das mulheres negras do Espírito Santo, reforçando o papel estratégico do Estado na construção de soluções que unem sustentabilidade, equidade e justiça social.


Criado em 2015, o Instituto é um laboratório de inovação e tecnologia social liderado por mulheres negras e indígenas. 


Com sede em Vitória e atuação colaborativa em todo o Brasil, na diáspora africana e afrolatina, a organização nasceu do desejo de cocriar soluções que aproximam tecnologias ancestrais e contemporâneas, valorizando o potencial criativo das populações negras e de territórios historicamente vulnerabilizados.




Na COP30, o Das Pretas marca presença em cinco grandes participações institucionais, além de outras agendas de articulação. A fundadora e CEO, Priscila Gama, compõe painéis e conversas que discutem como as periferias já desenvolvem, na prática, caminhos sustentáveis e regenerativos para o planeta.


“Estar na COP30 é um ato político e pedagógico. É escuta, mas também é fala. É o momento de mostrar que territórios periféricos não são apenas destinatários de políticas, mas produtores de conhecimento e de tecnologia social”, afirma Priscila.


A agenda começou com a palestra “Futuros Negros: Dados, Cultura e Justiça Climática para a Regeneração dos Territórios”, no Regenera Project, onde Priscila apresentou tecnologias sociais criadas no Espírito Santo e defendeu a diversidade como motor da inovação.




Durante o South of the Future, da Fundação Toyota do Brasil, na Green Zone, Priscila reforçou:


“O Sul Global não precisa de caridade, precisa de paridade. Faz tempo que testamos futuros nos nossos territórios, só que longe dos centros que se acreditam o centro. O futuro é coletivo, e a comunidade é a nossa tecnologia mais potente.”


Entre os demais compromissos do Instituto estão:


O painel Deslocados Climáticos, na Free Zone, sobre os impactos das mudanças climáticas em populações historicamente vulneráveis;


O painel Lab Futuros: Inovação, prosperidade e justiça climática nas periferias capixabas, na Casa Sustentabilidade Brasil, destacando saberes ecológicos e tecnologias sociais já existentes nesses territórios;


Participação no Festival Coletivo Casa Brasil COP30, onde Priscila mediará o painel “Transição para quem? Raça, Consumo e Justiça Climática no Brasil Real”, propondo um olhar interseccional sobre consumo, transição ecológica e desigualdades.


A presença do Das Pretas na COP30 reforça seu papel como referência nacional em inovação social e cultural, ampliando a visibilidade das mulheres negras capixabas e dos saberes periféricos em espaços globais de tomada de decisão.


“Nossa presença aqui amplia o horizonte do possível. Ocupamos esse espaço levando a força, a inteligência e a criatividade das mulheres negras do Espírito Santo e do Brasil”, destaca Priscila.


O Instituto também leva para a conferência experiências que unem empreendedorismo, educação e sustentabilidade, apresentando práticas desenvolvidas em comunidades capixabas e periféricas.


“Quando falamos de futuro, falamos sobre quem tem o direito de imaginá-lo — e de realizá-lo. Nosso papel é mostrar que as periferias não são o problema, mas parte essencial da solução para as crises climática e social”, conclui.


Por que a COP importa


A Conferência das Partes (COP) é o principal encontro mundial dedicado ao clima. Todos os anos, reúne líderes globais, cientistas, movimentos sociais, organizações, empresas e ativistas para discutir caminhos de enfrentamento às mudanças climáticas. 


É nesse espaço que surgem acordos internacionais, metas de redução de carbono e decisões que afetam diretamente o futuro do planeta. 


Estar na COP significa participar da construção dessas decisões e garantir que vozes historicamente silenciadas, como as de mulheres negras e das periferias, ocupem os lugares onde o futuro é debatido.

Por: Edu Coutinho

Edu Coutinho

Edu coutinho é o idealizador do Portal Resenhando e colunista principal

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